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Acervo · Kiai · Edição nº 39

Oizuki: simplicidade com extrema eficiência

  • Revista: Kiai
  • Ano VIII, nº 39, páginas 4 a 6
  • Texto: Carlos Rocha

Na edição seguinte da revista Kiai, o Sensei Carlos Rocha voltou com um artigo técnico sobre o Oizuki, o soco com avanço de um passo.

As fotos foram feitas no dojo Mushinkan e mostram, passo a passo, o deslocamento e a sincronização entre o passo e o soco. O texto termina com uma reflexão sobre o karatê como prática e não como teoria.

Página de abertura da matéria Oizuki na revista Kiai, com o Sensei Carlos Rocha socando diante do banner do Mushinkan
Página 4Ampliar
Página 5 da revista Kiai com fotos numeradas do Sensei Carlos Rocha executando o Oizuki no dojo Mushinkan
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Página 6 da revista Kiai com três karatecas executando o Oizuki em sincronia e detalhes da mão fechada
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Capa da revista Kiai, ano VIII, número 39, com a chamada Oizuki, simplicidade com extrema eficiência
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Transcrição

Texto transcrito do original, mantendo a grafia da época. Corrigimos apenas erros evidentes de digitação.

Oizuki é a técnica de socar avançando um passo, terminando na posição Zenkutsu. Para treinar esta técnica simples, mas de difícil execução, siga as etapas seguintes:

Em pé (posição shinzentai) relaxe o corpo, tire a força dos ombros, relaxe ligeiramente os joelhos e sinta as plantas dos pés totalmente apoiadas no chão. Concentre toda a energia no tandem (ver figura).

Pratique então o chiokuzuki (soco em pé). Ao socar não esqueça de manter os cotovelos juntos ao corpo e sempre atrás dos pulsos. Concentre-se e mantenha o foco do soco (judan/chiudan etc). Pratique constantemente até dominar a técnica de socar em pé.

Em guedan-barai, concentre-se agora na posição zenkutsu, as plantas dos pés devem estar completamente apoiadas no chão. Perna da frente flexionada mantendo a borda externa do pé dianteiro direcionado à frente. Pé de trás o máximo virado à frente para facilitar a movimentação do quadril. O corpo relaxado, energia concentrada no tonden. Inicie o passo observando o seguinte: (foto 3)

O passo, de A a I

A - Mantenha a mesma altura durante todo o passo.

B - Dependendo do kamae a perna da frente (direita/esquerda) será o que executará todo o esforço de deslocamento.

C - A perna dianteira puxa o corpo à frente, até o meio da passada, mantenha o corpo ainda de lado, não altere a altura inicial (foto 4).

D - Para que a puxada da perna seja eficiente mantenha o pé dianteiro agarrado no chão e virado para frente (detalhe foto 7).

E - Quando a passada estiver no meio, os pés juntos, passe agora a empurrar o corpo com a mesma perna esquerda, à frente, para que o movimento alcance a máxima velocidade.

F - A partir do meio da passada comece a aplicar o movimento do soco treinado na etapa 1 para que o soco e o passo terminem exatamente sincronizados.

G - Estique completamente e instantaneamente a perna esquerda para que ela possa apoiar o soco. Observe que o pé que ficou atrás no término do soco fique o máximo possível virado à frente, para apoiar o quadril que também deve estar virado para frente (foto 5 e 6), força máxima no tanden.

H - Importante: durante todo o movimento do oizuki, a energia deve ser mantida no tanden evitando assim que o corpo flutue e fique leve, não conseguindo imprimir força no soco.

I - Manter o tronco sempre vertical do solo, cabeça firme, orelhas em cima dos ombros, queixo ligeiramente tencionado junto do corpo, lembre-se que toda a força do golpe em karatê, depende de velocidade portanto, use a máxima possível.

Teoricamente se você seguir estes passos você executou um bom Oizuki.

Na prática, porém, você terá de repetir esta técnica milhares de vezes. Quanto mais praticá-la mais verá e sentirá quão difícil é executar um bom oizuki. Treine, treine e treine!

Karatê é oizuki

Oizuki é todo karatê. É a mesma coisa.

Agora que tomou conhecimento teórico de como fazer tecnicamente um “oizuki”, treine uma vida exaustivamente e começará a saber o que o karatê “não é”.

Saber o que é o karatê, é impossível, pois aqui conheça o reinado de “ser”.

Você não pode conhecer karatê, mas pode “ser” karatê, e nesta dimensão está apenas a “saber”, não há o conhecimento, nem tão pouco o conhecedor. Este “saber” é totalmente diferente de todos os outros conhecimentos.

Nesta dimensão saber e ser são o mesmo.

Não há nem mesmo como explicar ou ensinar, porque conhecimento é morto e é uma coisa, está na mente.

Pior ainda, conhecimento só existe do passado, e este tipo de saber, nunca está no passado, nem no futuro.

É agora, é aqui, é o momento que é eterno, não pode ser explicado.

Entenda, feche seus olhos e “saiba”. Abra seus olhos e “saiba”, agora não abra, nem feche e ainda “saberá”, isto é ser, é saber.

Karatê só existe nesta dimensão, e não pode estar contido em nenhum livro. E isto não é teoria é prática infinita.

Notas da transcrição

  • As páginas digitalizadas não trazem o mês e o ano da edição. Por isso a data aparece só como edição nº 39.
  • No acervo não há a página com as fotos 1 e 2 citadas no texto.

Fonte: Kiai, Ano VIII, nº 39, páginas 4 a 6, edição nº 39.

Recorte do acervo pessoal do Sensei Carlos Rocha. Os direitos do texto e das imagens pertencem aos seus autores e à publicação original.

Treine com o Sensei Carlos Rocha.

A mesma linhagem do Mestre Taketo Okuda, hoje no Mushinkan, na Vila Mariana.